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Dom Paulo Evaristo Arns: A esperança perdeu seu maior sorriso Por PUC-SP 14/12/2016 - Atualizado em 14/12/2016 23h11

Dom Paulo Evaristo Arns: A esperança perdeu seu maior sorriso
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A esperança perdeu seu maior sorriso: morreu Dom Paulo Evaristo Arns. O arcebispo emérito de São Paulo, grão-chanceler da PUC-SP de 1970 a 1998, faleceu aos 95 anos, no dia 14/12 em São Paulo. "O mundo perde um homem bom. A Universidade perde um de seus melhores representantes e uma de suas maiores lideranças", afirma a reitora da PUC-SP, professora Maria Amalia Andery.

A história de Dom Paulo foi contada em cerca de 10 biografias, incluindo Da esperança à utopia – testemunho de uma vida, escrita por ele mesmo, uma de suas mais de 50 obras. Nascido em Forquilhinha (SC) em 14 de setembro de 1921, em uma família de colonos de origem alemã, teve 12 irmãos. Ingressou na Ordem Franciscana em 1939, foi ordenado padre em 1945 e nomeado bispo em 1966, atuando na capital paulista. Tornou-se arcebispo metropolitano de São Paulo em 1970 e, três anos depois, foi nomeado cardeal. Indicado ao Prêmio Nobel da Paz em 1989, tem mais de 31 títulos universitários (dentre eles, 24 de Doutor “Honoris Causa”).

 

Direitos Humanos e combate à ditadura

Sua atuação à frente da Arquidiocese de São Paulo e a postura firme na defesa dos Direitos Humanos durante a ditadura militar (1964-1985) o tornaram conhecido e admirado em todo o mundo. No início dos anos 1970, Dom Paulo criou a Comissão Justiça e Paz, que combateu a tortura promovida pelos órgãos de repressão do regime. Apoiou líderes sindicais durante as greves operárias (anos 1970) e o movimento das Diretas Já (1984), celebrou a missa em memória de Santo Dias (líder grevista assassinado durante uma manifestação, em 1979) e a cerimônia ecumênica em memória do jornalista Vladimir Herzog (morto nas dependências de um órgão de repressão militar, em São Paulo), que reuniu milhares de pessoas na Catedral da Sé (1977). No final da década até meados dos anos 1980, ao lado do pastor presbiteriano Jaime Wright, coordenou o projeto Brasil: Nunca Mais, reunindo documentos oficiais e garantindo o registro histórico sobre a tortura durante a ditadura.

 

Nos seus 28 anos à frente da Arquidiocese, construiu centenas de centros comunitários na periferia da capital.

  

Dom Paulo na PUC-SP

Dom Paulo enfrentou o regime militar também na PUC-SP. Permitiu que a Universidade acolhesse professores de universidades públicas cassados pela ditadura e recebesse a reunião da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, em 1977. Defendeu a Instituição e a comunidade acadêmica quando tropas da PM invadiram o campus Monte Alegre e quando dois incêndios destruíram o Tuca, em 1984. Nomeou a primeira mulher reitora de uma Universidade Católica (a professora Nadir Gouvêa Kfouri, em 1976) e instituiu a consulta à comunidade para definir os cargos diretivos da Instituição em 1980, processo pioneiro dentre as universidades brasileiras. Foi homenageado diversas vezes pela sua PUC-SP: numa delas, em 2004, quando se comemorava seu aniversário de 83 anos, declarou: “Deus seja louvado por esta Universidade, que foi invadida e humilhada, mas que tem a capacidade de se renovar sempre”.

 

Esperança

Neste momento estão sendo publicadas no Facebook da PUC-SP algumas fotos de Dom Paulo.

É possível constatar que, na maior parte delas, o cardeal está sorrindo. O sorriso era instrumento da sua esperança (que louvara em seu lema episcopal): era com ele que entusiasmava as pessoas e conduzia seu rebanho – seu povo – à fé e à luta por uma vida melhor e mais digna. Era nele que se expressava a coragem com que enfrentava as adversidades de seu tempo, mostrando como a força pode se manter firme sem perder a sutileza e a serenidade, como a autoridade pode assumir sua ternura e deixar de lado a carranca. Lembrar o sorriso que Dom Paulo nos lega é uma oportunidade para renovar nossa esperança por uma humanidade mais justa.

 
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